Na manhã desta quinta-feira (7), em Teresina (PI), a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos foi detida após a Justiça ter decretado sua prisão preventiva em um caso que investiga agressões contra uma empregada doméstica grávida de 19 anos, o que aconteceu na região metropolitana de São Luís (MA).
Carolina Sthela está sendo investigada por tortura, lesão corporal, ameaça e constrangimento ilegal. Segundo a acusação, a vítima foi agredida fisicamente e ameaçada de morte após ter sido acusada de roubar um anel de sua ex-patroa.
A Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) comunicou que a detenção ocorreu no bairro São Cristovão. O supremo responsável pelas operações integradas da SSP-PI, delegado Matheus Zanatta, explicou que a prisão ocorreu após uma troca de informações entre as forças de segurança dos estados do Maranhão e Piauí.
Conforme a Polícia Civil, a acusada estava inicialmente na casa de um tio, mas não foi encontrada. Graças a informações dadas por um familiar, os policiais conseguiram localizá-la em um posto de gasolina nas proximidades da Secretaria de Segurança Pública, no bairro São Cristóvão, onde estava com seu marido e seu filho menor. Ela foi detida e levada para a SSP-PI.
Durante o depoimento, a empresária apresentou relatos diferentes sobre a razão de sua presença em Teresina, afirmando que iria para o litoral do Piauí e que também pegaria um voo para Manaus. Ela optou por não comentar sobre as acusações e declarou que falaria apenas após se reunir com seus advogados. O caso segue sob investigação pela Polícia Civil do Maranhão.
O QUE DIZ A DEFESA
A advogada de defesa, Nathaly Moraes, declarou que Carolina já havia tomado a decisão de se apresentar de forma espontânea às autoridades, mas foi abordada antes de concluir essa ação.
Além disso, a defesa afirmou que a empresária estava recebendo ameaças de morte, o que contribuiu para sua escolha de se apresentar.
“Recebemos várias mensagens de voz indicando que ela poderia sofrer um ataque dentro do presídio. Por isso, decidimos organizar sua apresentação”, informou Nathaly Moraes.
A defesa acrescentou que Carolina também viajou a Teresina para resolver questões relacionadas ao seu filho de seis anos, que ficou aos cuidados de um parente, já que, segundo a defesa, ela não tinha familiares próximos para assumir essa responsabilidade.
“Ela admite a culpa e não busca impunidade. Ela está disposta a cumprir as ordens judiciais”, afirmou a defesa.
Investigação
O caso está sendo apurado pela 21ª Delegacia de Polícia do Araçagy, no Maranhão, após a vítima ter denunciado que foi agredida fisicamente após ser acusada de furto, em um incidente que ocorreu no dia 17 de abril, na residência da empresária.
De acordo com o relato da jovem, ela sofreu puxões de cabelo, socos e murros, além de ter sido derrubada no chão enquanto tentava proteger sua barriga. A vítima também relatou que as agressões continuaram mesmo após a joia que teria sido furtada ter sido encontrada.
A investigação também destaca a participação de um homem, já identificado, que teria auxiliado nas agressões.
Áudios vinculados à empresária e incluídos no inquérito aumentam as suspeitas ao relatar incidentes de coerção e intimidações. Em uma das gravações, ela menciona que a vítima “não deveria ter saído viva”.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) qualificou a situação como tortura agravada, além de agressão física, ameaça e difamação. A defesa confirmou que a empresária admite as agressões, porém refuta a acusação de tortura.
A empresária permanecerá detida enquanto a investigação continua. A Polícia Civil está empenhada em esclarecer todos os aspectos do caso e verificar o nível de envolvimento dos participantes.
O caso gerou ampla repercussão e levou ao afastamento de quatro policiais militares que atenderam a ocorrência inicial, devido a dúvidas levantadas sobre a maneira como o episódio foi tratado.