O retorno de Robert Brown Carcará à presidência da Federação de Futebol do Piauí (FFP) nesta segunda-feira (2), reacendeu o debate sobre a condução do futebol piauiense. Após 88 dias afastado por motivos de saúde, o dirigente volta ao cargo com o aval da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que confirmou o encerramento da administração provisória no estado.
Durante o período de afastamento, a CBF nomeou Hélio Cury, presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF), como interventor temporário. Ele chegou ao Piauí em 8 de dezembro de 2025 com a missão de conduzir a entidade por 90 dias e assegurar a regularidade das competições.
Segundo Cury, dois pareceres foram elaborados e encaminhados à CBF, concluindo pela inexistência de irregularidades que comprometessem o calendário esportivo. “Não há qualquer insegurança quanto às questões desportivas da federação”, afirmou o dirigente, destacando que o principal objetivo era garantir as competições nacionais e estaduais de 2026.
A CBF informa, por meio de sua assessoria, que o período de administração provisória foi oficialmente encerrado e que divulgará nota com mais esclarecimentos.
Pressão judicial
Apesar do retorno, o cenário jurídico permanece indefinido. O Ministério Público do Estado do Piauí (MP-PI) ingressou, ainda em dezembro de 2025, com a Ação Civil Pública nº 0871987-82.2025.8.18.0140, solicitando o afastamento cautelar de Brown e intervenção judicial na FFP, alegando supostas irregularidades na gestão da entidade e do Instituto de Futebol do Piauí (IFP).
Em nota assinada pelo promotor José Reinaldo Leão Coelho, da 25ª Promotoria de Justiça de Teresina, o MP destacou que aguarda decisão do Poder Judiciário sobre os pedidos de tutela de urgência e reforçou que apenas a Justiça e a CBF podem confirmar oficialmente o retorno do dirigente.
Confira a nota do MP-PI na íntegra
O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI), por intermédio da 25ª Promotoria de Justiça de Teresina, esclarece que a Ação Civil Pública nº 0871987-82.2025.8.18.0140, ajuizada em 01/12/2025, objetiva garantir a transparência e a regularidade na gestão da Federação de Futebol do Piauí (FFP) e do Instituto de Futebol do Piauí (IFP). Ressalte-se que, logo após a propositura da ação, em 08/12/2025, o então presidente solicitou afastamento temporário, o que resultou na nomeação de um administrador provisório pela CBF para conduzir a entidade por um período inicial de 90 dias.
Diante da iminência do término desse prazo e das notícias sobre o retorno do gestor investigado à presidência, o MPPI informa que tem peticionado reiteradamente nos autos buscando a celeridade processual necessária. Esta Promotoria de Justiça reafirma que cumpriu rigorosamente todas as etapas de sua competência e que aguarda, desde o despacho proferido em 05/12/2025, o pronunciamento do Poder Judiciário quanto aos pedidos de tutela de urgência para o afastamento cautelar e a intervenção judicial, providências indispensáveis para resguardar a integridade do esporte piauiense e evitar a consolidação de situações objeto da ação.
Teresina/PI, 02 de março de 2026, José Reinaldo Leão Coelho, promotor de Justiça da 25ª Promotoria de Justiça de Teresina.
Retorno
Robert Brown reassume em meio a um ambiente sensível. Embora tenha solicitado licença por questões de saúde logo após o ajuizamento da ação do MP, o retorno ocorre antes de qualquer decisão judicial definitiva.
A volta do dirigente acontece em um momento que o futebol piauiense enfrenta críticas sobre calendário enxuto do Piauiense 2026 e as já rotineiras fragilidades estruturais enfrentadas pelo os clubes.